
Eram
os Tamoios, índios perigosos, valentes e altivos.
Grande flecheiros, destros caçadores, pescadores
de linha e mergulhadores.
Viviam de modo diferente dos outros indígenas,
suas aldeias eram fortificadas com estacas a que chamavam
"caiçaras" e compunham-se de cinco ou
seis ocas, abrigando cerca de 150 a 200 pessoas no seu
total.
Sua língua era diferente das que eram faladas pelos
índios dos arredores.
O Padre José de Anchieta, anteriormente, já
havia falado dos Tamoios como os primeiros habitantes
da Ilha Grande.
Eles denominavam a Ilha de Ipaum Guaçu (Ipaum significando
Ilha, Guaçu, grande).
Algumas outras expressões indígenas também
acabaram se tornando a denominação atual
de locais na Ilha: Araçatiba, Provetá, Acaiá,
etc.
Sendo a maior ilha do litoral Fluminense, fora doada por
Martim Afonso de Souza em 1559 ao Dr. Vicente da Fonseca.
Este, de posse das terras, chamou ao Brasil diversos açorianos,
doando aos mesmos grandes lotes da Ilha, que por sua vez,
convidaram seus parentes do Arquipélago Açoriano
e deram início a colonização do lugar.
A Ilha Grande sofreu também inúmeros ataques
feitos por piratas. Eram tantos os ataques e abusos acontecendo
no trecho de Cabo Frio a Santa Catarina, que Felipe II
da Espanha resolveu manter uma guarda costeira para a
região, nomeando Martim de Sá seu comandante
em l617.
Uma de suas resoluções foi a de proibir
a colonização na ilha, o que persistiu até
pouco antes do final do Século. XVIII.
A colonização da Ilha se deu somente entre
1725 e 1764, prosperando o cultivo da cana-de-açúcar
durante o Século XVIII, que perdurou até
a primeira metade do Século XIX.
Somente em 1726 a Ilha Grande deixa de ser paulista para
ser agregada ao Rio de Janeiro, pela insistência
de Luiz Vahia Monteiro, que alegava não ter condições
de exterminar o contrabando e pirataria enquanto a Ilha
Grande não estivesse sob sua jurisdição.
A Ilha foi elevada à condição de
Paróquia em 1803, com a construção
de capela nas marinhas da Fazenda de Santana, propriedade
de Major Bento José da Costa. A construção
atual foi terminada em 1843, depois da
demolição da primeira igrejinha.
A cultura do café que foi introduzida um pouco
mais tarde que a do açúcar, perdurou entre
1772 à 1890 chegando inclusive a ser exportado
para a Europa, para se ter uma idéia da dimensão
dessas atividades na Ilha, apenas uma fazenda, a de Sant'ana
tinha mais de 5000 escravos nessas duas culturas. Os portos
de Sant'Ana, da Ilha Grande, de Abraão e do Sítio
do forte ofuscavam o de Angra dos Reis. O primeiro era
o mais importante do Sul Fluminense, também a Ilha
tornou-se centro de desembarque e tráfico de escravos
negros trazidos da África (Século XVIII
até meados do Século XIX).
No Século XIX com a expansão da cafeicultura
na região do Vale do Paraíba e também
com o término do tráfico de escravos, a
Ilha Grande entrou em grande decadência sendo os
cafezais abandonados.
No Século XIX, Dom Pedro II visitou a Ilha Grande
e encantado com a beleza e a tranqüilidade da ilha,
resolveu adquirir em 1884 as, Fazendas do Holandês
(hoje Abraão) e a de Dois Rios onde depois foi
instalado o Instituto Penal Cândido Mendes.
Na fazenda do Holandês foi construído o Lazareto,
que serviu como centro de triagem e quarentena para passageiros
enfermos que desembarcavam no Brasil, notadamente contra
o cólera, chegando a atender mais de quatro mil
embarcações durante os 28 anos de funcionamento.
Em 1903 foi construída a Colônia Corregional
de Dois Rios. O Lazareto foi desativado e funcionou como
presídio político. No final da Revolução
Constitucionalista de 1932 seus internos passaram para
a Colônia Corregional de Dois Rios.
Posteriormente o Lazareto chegou a ser demolido, e hoje
em dia no local encontram-se apenas suas ruínas.
Em 1940 foi construído em Dois Rios o Instituto
Penal Cândido Mendes, com capacidade para mil presos
de alta periculosidade.
Este presídio funcionou até 1993 quando
foi enfim desativado e seu prédio implodido.
Com a decadência da agricultura, iniciou-se nas
áreas abandonadas a regeneração da
floresta.
Com o objetivo de conservar os importantes ecossistemas
da região, foram criados, em 1971, o Parque Estadual
da Ilha Grande, com uma área de 5.600 hectares,
que é administrado pelo IEF, Instituto Estadual
de Florestas, e em 1990, a Reserva Biológica da
Praia do Sul com uma área de 3.600 hectares, e
o Parque Estadual Marinho de Aventureiro, abrangendo 5
milhas náuticas. Este parque, que corresponde a
parte marítima adjacente à Reserva Biológica
da Praia do Sul, é formado pela região litorânea,
zona de marés, desembocadura de rios, canal e zona
nerítica (parte da plataforma onde a luz penetra
até o fundo).
Estas duas unidades de conservação são
administradas pela Fundação Estadual de
Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA).
Hoje, devido ao desaparecimento das atividades econômicas
já citadas e ao declínio da atividade pesqueira,
a Ilha Grande tem vivido quase exclusivamente do turismo,
que tem crescido de maneira muito intensa, aparecendo
a cada dia novos meios de hospedagem e operadores de atividades
como: passeios de barcos, trilhas, mergulho, etc.